Os Sistemas Isolados do Brasil atendem cidades e comunidades, quase todas na Amazônia, que não estão conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Funcionam principalmente a diesel. Boa parte do custo desses sistemas é rateada entre todos os consumidores de eletricidade do país por meio da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), um subsídio cruzado que atingiu cerca de R$ 12,5 bilhões (US$ 2,4 bilhões) em 2024.
A interligação de Boa Vista ao SIN, em setembro de 2025, reduziu o consumo dos Sistemas Isolados em aproximadamente metade. O que resta é a parte mais cara do sistema, em que cada litro de diesel evitado gera a maior economia. Semanas depois, um leilão mostrou o que um desenho melhor pode alcançar ali. Em Jacareacanga, no Pará, uma usina híbrida de energia solar, baterias e diesel venceu com lance pouco acima da metade do preço-teto, no primeiro leilão dos Sistemas Isolados a precificar as emissões evitadas. O leilão comprou energia mais barata que, por acaso, também era mais limpa, sem pagar prêmio por isso.
Este documento propõe cinco ações para o Ministério de Minas e Energia (MME), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE):
- Cortar a demanda ineficiente antes de contratar nova geração e incluir a eficiência energética e a redução de perdas em todo o plano.
- Ajustar o que os leilões compram: alinhar os prazos contratuais à vida útil dos ativos limpos e contratar energia separadamente da potência.
- Remunerar a geração local pelo diesel que ela desloca, por meio de faturamento líquido (net billing) precificado pelo custo evitado e de projetos-piloto de tarifa horária.
- Garantir que as distribuidoras considerem todos os recursos no planejamento, incluindo armazenamento, microrredes e eficiência energética.
- Priorizar projetos em âmbito nacional, segundo critérios como redução de subsídio, confiabilidade, emissões e desenvolvimento local.
Os Sistemas Isolados são delimitados, observáveis e caros. Isso também os torna bons lugares para testar instrumentos tarifários, de medição e de planejamento antes de adotá-los em escala maior. As lições valem para redes dependentes de diesel muito além do Brasil.
Foto: baleia
